Fiz uma playlist

A pedido do Contracoutura fiz uma playlist para o segmento “couturasonora”. 

Escolhi muitas músicas Hip-Hop (isto foi óbvio) mas também andei ali pelo Jazz, Soul e RnB.

Vejam bem a imagem bonita que eles fizeram. Até me Senti importante!  👔

 

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Não vou falar muito do projeto do Contracoutura porque quero que acedam mesmo ao site deles.

Ah e oiçam a playlist!

Os 10 melhores álbuns ou EP’s de 2018 (sem dúvida)

Eu sei que já venho um bocado atrasado, eu sei. No entanto, tal como eu ainda desejo bom ano àquelas pessoas que ainda não tinha visto em 2019, acho que ainda é pertinente falar dos melhores trabalhos de 2018.

Antes de levar hate e ser acusado de que não percebo nada do movimento, faço questão de dizer (como se ainda fosse preciso fazê-lo) de que a próxima lista é completamente subjetiva. Poderão nem se tratar dos trabalhos que têm mais qualidade, são simplesmente os que eu mais senti.

Posto isto, seguem agora a lista dos 10 melhores álbuns ou EP’s de 2018 (sem dúvida).

Cálculo – Tourquesa

Que eu ia gostar do álbum do Cálculo era quase certo. Mas gostar tanto, nem eu estava à espera. Esta lista não tem propriamente uma ordem mas coloquei o Tourquesa no topo da lista pois foi o que mais gostei do ano passado. Posso falar em amor à primeira escuta. Está tudo lá: sonoridade única, a boa vibe e o skill de um grande MC como é o Hugo. Ah e foi tudo feito por ele desde os instrumentais até às rimas.

 

Toy Toy T-Rex – Chá De Camomila

Esta foi sem dúvida a surpresa do ano. Acerca de dois nem conhecia bem o artista, a primeira vez que o ouvi foi por volta de 2017 numa faixa em conjunto com o meu amigo guitarrista Frankie Baptista que gentilmente me passou a faixa que haveria de sair meses depois. Não me cativou. No final do ano passado a minha equipa da Hip Hop Rádio realizou uma entrevista ao Toy Toy, adorei a pessoa e depois fui finalmente ouvir com ouvidos de escutar o álbum. Tenho de voltar uns bons anos atrás para encontrar um artista que me tivesse surpreendido tanto. É algo completamente fora da caixa que evito descrever ou catalogar, só se percebe quando se ouve.

 

Papillon – Deepak Looper

É quase consensual que o álbum de estreia do membro da Grognation foi o melhor álbum do ano e eu percebo porquê: qualidade aliada ao inesperado. Papillon saiu completamente do seu registo de grupo e fez um trabalho inédito, muito com o cunho de Slow j, que o produziu quase na totalidade. Simplesmente não é o melhor álbum do ano para mim porque não é o meu estilo e não o senti tanto, no entanto tenho a certeza que é um álbum que já entrou para a história do Hip-Hop Tuga.

 

Conjunto Corona – Santa Rita Lifestyle

“Puto, os Corona vão aí Lisboa, pede lá acreditação que quero ir cobrir o evento”. Quem me disse isto foi Carlos Almeida, o meu locutor do programa “Rapresentação” no Algarve. Sim, ele quis deslocar-se de propósito de Faro para vir a este concerto. Quis e fez, eu arranjei as acreditações e acompanhei-o ao concerto de um coletivo que era completamente desconhecido para mim. estamos a falar num evento que aconteceu há bem pouco tempo, início de janeiro. Quando cheguei ao concerto vi uma energia em palco enorme e um público dos mais fiéis que já vi a cantarem todas as letras que, por sinal, são de sentido bem humorado. Tive de ir pesquisar o último albúm deles mal saí do evento e quando o fiz, adorei o que ouvi. A qualidade está toda lá mas para mim isso não é o mais importante em Corona. Já dei por mim a andar na rua enquanto oiço a música deles e a rir à toa. Há algo melhor?

 

Estraca – Estraca

Confesso que tive alguma dificuldade em fazer esta lista porque nem todos os álbuns que estão aqui eu senti realmente. É o caso do álbum de estreia do Estraca que está muito bom e decidi colocá-lo em detrimento de outros. G-Funk foi de longe a minha faixa preferida de um MC que é muito bom no seu estilo de intervenção mas aqui demosntra que pode ser igualmente bom ou até melhor noutros registos.

 

Sam The Kid – Mechelas

Que dizer? É o Sam The Kid. “Sendo assim” mal saiu tornou-se logo um clássico do Hip-Hop Tuga. Sim, é a única faixa de Samuel nesta compilação de temas de 2016, 2017 e 2018 mas todos os outros são produzidos por ele. Era impossível este trabalho não estar nesta lista.

 

Nerve – Auto-Sabotagem

Não foi o trabalho de Nerve que mais gostei no entanto eu gosto tanto deste artista que não o podia pôr de fora desta lista. Ácido como sempre, está aqui um EP como uma sonoridade que continua a ser única em Portugal. Nerve está para o Rap português como Fernando Pessoa está para a literatura portuguesa. Para mim é o melhor liricista da tuga sem dúvida. “Chibo”, single do EP que foi libertado antes desde sair foi o preferido para mim. O vídeo-clip é uam obra-de-arte visual.

 

Nasty-Factor – Adrenalina

Este foi o álbum mais underrated do panorama do Hip-Hop nacional para mim, Um bom MC, bons beats, boas participações, boas faixas. Não sei o que falhou para este albúm ter o reconhecimento que devia. Nasty Factor lançou-se no ano passado pela primeira vez a solo tal como o seu companheiro de grupo Papillon, no entanto, contrariamente a este apostou numa sonoridade mais parecida à Grognation o que talvez tenha ajudado a não criar tanto buzz. Não havia o fator novidade. É injusto sinceramente pois trata-se de um álbum com bastante qualidade e atitude. Quem nunca abanou a cabeça ao som do refrão de “Escáfia”?

 

X-tense – Rosa Dragão

X-Tense voltou e voltou melhor do que nunca. Passaram-se vários anos desde o anterior álbum mas a atitude está lá toda. X é um dos MC’s que merecia estar no topo da tuga há muito tempo e simplesmente acho que não está porque nem toda a gente percebe as dicas dele. Ainda acredito que este álbum seja a consagração dele no panorama nacional. Todas as faixas são espetaculares sejam as rimadas ou as mais cantadas e melódicas. Importante não esquecer que o álbum tem todo um conceito que explica o seu título e que segundo X-tense só será percebido ouvindo-o do início ao fim.

 

 

Mike El Nite – Inter-Missão

Óbvio que Mike El Nite é um dos rappers mais carismáticos de Portugal. Sempre gostei dele. A questão é que “Inter-Missão” faz-me indicar a terceira surpresa desta lista. Simplesmente adorei toda a história por trás deste albúm, Nite mete tudo arranjadinho. E o que eu mais gosto é que este álbum “precisava” de sair, não foi nada pensado com antecedência, simplesmente aconteceu um conjunto de situações a Mike El Nite que este decidiu partilhar. A história está contada no álbum… e na BD, que como vocês já viram aqui no blog, fiz questão de comprar.

 

Artistas Portugueses mais influentes no Rap

Artigo ao abrigo de Nelma Marise


 

Piruka- André Oliveira mais conhecido por Piruka é um Rapper de 25 anos, natural de Cascais. Os seus maiores êxitos são os singles «Não faz isso» e «Salto Alto», os seus vídeos acumulam milhões de visualizações no Youtube. «Não se passa nada» e «Se eu não acordar amanhã» foram disco de ouro em Portugal.

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Sam the Kid- Samuel Mira mais conhecido por Sam the Kid é um Rapper de 39 anos natural de Chelas. Para muitos é o melhor rapper português de sempre, em 2005 participou em alguns temas do filme «O crime do Padre Amaro» e no mesmo ano colaborou num álbum de homenagem á Fadista Amália Rodrigues. Em 2009 participou de um projecto com a banda Orelha Negra, este consistia na produção de canções instrumentais. Actualmente está num projecto chamado «Tv Chelas» que visa a divulgação de músicas inéditas com do mesmo e de outros artistas, videocilipes, podcasts, entrevistas etc e tem como plataforma um canal do Youtube.

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Valete- Kedje Lima mais conhecido por Valete é um Rapper de 37 anos natural da Damaia, tem 2 álbuns lançados e é licenciado em Ciência da Comunicação. Com apenas 16 anos começou a ser convidado para mixtapes, em 2002 lançou o albúm «Educação Visual». Em 2017 entra no projecto «Língua Franca» com Rael, Capicua e Emicida, participa em 3 músicas desse álbum. Os seus fãs continuam à espera do lançamento do seu novo álbum que se chamará “Homo Libero».

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Regula- Tiago Lopes natural dos Olivais é um Rapper português. Em 1996 formou a sua banda, Duke Skill. Em 2002 lançou o seu primeiro álbum a solo «1ª Jornada», e, 2005 lança o segundo intiyulado «Tira Teimas». Em 2013 lança o seu álbum «Gancho», porém o sucesso só chegou em 2017 com o tema «Casanova», fez duetos com Sam the Kid, Orelha Negra e com Carlão dos «Da Weasel»

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Cigas entrevista… Máry M

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No final do ano passado marquei encontro com a Mariana Marques ou Máry M, rapper de Alverca, 23 anos e com 1 EP editado. Com o seu rap assumidamente storytelling é já um dos principais e mais promissores nomes da nova escola do rap feminino português. Desde o verão na estrada com várias datas, sempre lhe disseram que não tinha ar de rapper mas ela nunca quis saber.

Fotografia: Alicia Gomes

Então Mariana, atualmente ainda dizem que não tens ar de rapper?

Sim é comum dizerem essa frase que eu acho piada. Pus até isso num cypher que fiz com várias rappers e dá para brincar assim um bocadinho!

Vamos voltar atrás no tempo, qual é que foi o teu primeiro contacto com o Hip-Hop?

O primeiro contacto com o o Hip-Hop foi a ouvir rap com 12 ou 13 anos na escola com o meu melhor amigo que ouvia muito Hip-Hop tuga. Eu não o conhecia na altura e foi aí que o conheci. Ele mostrou-me Xeg, foi a primeira cena e apaixonei-me. Na altura já escrevia e acabei assim por encontrar um estilo onde se valorizava muito a letra e acabei por me identificar e começar a consumir muito rap tuga. O meu primeiro contacto a nível de concertos foi 2 ou 3 anos depois.

Tiveste aquele “click” em que depois pensaste para ti por exemplo: é mesmo isto que eu gosto?

Foi crescente, eu não ouvia rap, comecei a ouvir porque me dava muito com o meu amigo, comecei a dar-me com os amigos dele que também ouviam muito. Depois disso houve uma altura que eu só ouvia rap, comecei a descobrir mais sobre o rap português, mais o da zona centro, Lisboa. Depois comecei a descobrir o rap do porto. Dealema foi a primeira coisa que ouvi, mind da gap também. Não foi um “click”. Fui levada pelos meus amigos e comecei depois a ouvir muito mais.

Então foste e és fã antes de ser rapper. Como começaste a entrar mais profundamente na cultura ou seja, se costumavas ir a muitos concertos, se tiveste algum contacto com rappers, produtores e outros intervenientes?

Nunca fui muito de abordar os rappers porque sou muito tímida. O primeiro concerto de rap a que eu fui foi da Capicua, mais precisamente a 22 de fevereiro de 2012, nunca mais me esqueço, foi a partir daí que comecei a ir a concertos. Tinha 16 anos. A partir desse comecei a ir a muitos e a comprar muitos álbuns, tenho bastantes cds de rap tuga em casa. Foi a partir daí que comecei a entrar no movimento, através dos concertos e das compras de álbuns.

Podemos falar então numa fã com experiência. Quando começaste depois a pensar que ser rapper era uma possibilidade ? Tinhas o hábito de escrever? Treinaste em casa, no chuveiro?

Eu sempre escrevi muito, lia muito, participava nos concursos da escola de poesia e prosa, textos de opinião, também tinha blogs. Como disse há bocado, encontrei um estilo que me permitiu depois desenvolver essa capacidade de escrita e comecei a fazer letras por cima de instrumentais logo depois de ter começado a ouvir rap. Eu e esse meu amigo começámos a escrever e a fazer umas coisas engraçadas quando eu andava no 9º ano portanto devia ter 13 ou 14 anos. O que escrevia cantava e gravava com o microfone do computador, mais tarde comprei mesmo um microfone mas muito mais tarde é que vim a lançar músicas para a Internet.

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“Os nossos sonhos e os nossos medos estão misturados, residem todos no mesmo sítio, estão todos debaixo da cama ali bem próximos de nós.”

 

O teu álbum editado em Outubro de 2017 chama-se Momento certo. Porque foi aquela altura o momento certo de o lançares?

Nos anos em que eu fazia rap e não o lançava tinha sempre muita vontade de o fazer. Apenas não divulgava porque não tinha coragem, sou muito tímida e reservada e tinha medo. Depois comecei a refletir mais nesse medo. Se eu gostava tanto de fazer aquilo e me dedicava tanto àquilo, era de facto algo que me apaixonava e adorava, e adoro, fazer porque não mostrar? O EP chama-se Momento Certo para evidenciar essa reflexão. Esta mos sempre à espera do momento certo para algo acontecer, não só para fazer rap mas para tudo, estamos sempre à espera do momento certo para ter filhos, ser felizes, entre muitas mais outras coisas e acho que esse momento é quando nós metemos na cabeça que é agora e realmente fazêmo-lo e não vamos estar a adiar mais. Foi depois de uma luta interior, intensa, durante esses anos todos que eu decidi e se calhar me cansei de adiar e foi esse o momento certo. Começou na RAP na verdade, música que não integrou o EP. O Momento Certo começou no dia que eu decidi lançar essa faixa que foi a primeira a sair.

Qual foi a primeira reação dos teus pais quando lhes disseste que querias ser rapper e fazer um álbum?

Nem a Máry M nem o Momento Certo existiam se não fossem os meus pais. A minha mãe chateava-me imenso: “Então já fizeste outra música? Quando é que vais gravar? Quando é que vais mostrar isso? Gostas tanto de fazer isso, tens tanto jeito!” Acho que esse apoio da minha mãe e também o do meu pai foram fundamentais porque me deram força. Os meus pais também me ajudaram a nível financeiro para eu poder ir a um estúdio e mesmo na compra de alguns instrumentais portanto sempre recebi muito apoio deles. São os meus primeiros grandes fãs e sem eles não era possível logo não senti nenhum obstáculo da parte deles, antes pelo contrário.

Falando um pouco do Álbum Momento Certo, o que quiseste transmitir com ele?

Havia algumas coisas que eu tinha para dizer que na altura achava que deviam de ser ditas. Acho que foi necessário lançar aquelas músicas no início do meu percurso, eram coisas importantes sobre mim que eu achava que devia partilhar. É um EP extremamente pessoal, auto-biográfico e portanto aquilo que eu pretendi passar foi um bocado daquilo que eu sou, das minhas vivências, dos meus receios, um bocado de mim e achava que cada música que está ali devia de estar ali naquele momento e basicamente foi isso.

Tens um produtor brasileiro a produzir uma das faixas do álbum. Como surgiu esse contacto?

Mr M do Rio de Janeiro! Queria deixar um props para ele que vai ver isto de certeza. Ele tem uma página no Soundcloud e basicamente foi aí que ouvi o projeto dele. Tem um talento incrível, adoro os beats que ele faz, identifico-me imenso e na altura que estava a fazer o EP surgiu essa oportunidade de eu colaborar. Ele tem uma espécie de rubrica em que lança músicas que são samples de outros artistas, muitos deles brasileiros, alguns portugueses e americanos. A música que eu fiz com ele é um sample de Di Melo, artista brasileiro de que eu gosto muito e pronto surgiu essa colaboração e vão surgir outras com certeza com ele.

No refrão da música “debaixo da cama” dizes:
“Qual é a força que não me deixa abrir
A caixa onde me encontro?
Qual é a força que não me deixa sair
Da caixa onde me encontro?”
Após mais de 1 ano de teres lançado o álbum e teres assim realizado algo fora da caixa, já descobriste qual era a força que te impedia?

Eu não gosto muito de explicar as músicas. Gosto que as pessoas as interpretem e as sintam a partir das experiências delas. Não gosto muito de interferir nesse processo de interiorização de uma música porque acho que a mística da música também está aí. Essa música explica bem aquilo que eu estava a dizer há bocado: Nós termos às vezes medo de arriscar e pensarmos em qual é o momento certo para fazer certas coisas. Essa música fala mesmo de que os nossos sonhos e os nossos medos estão misturados, residem todos no mesmo sítio, estão todos debaixo da cama ali bem próximos de nós. Por vezes ouvimos mais os nossos medos, outras os nossos sonhos, mas está lá sempre tudo misturado e é importante que as pessoas façam as suas escolhas.

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Imagem retirada do website genius.com

A única participação especial que tens no teu álbum é do teu irmão que é pianista. Vês-te algum dia a fazer música mas noutro registo seja em termos de lírica, estilo, ou instrumental?

Existem muitas coisas que eu ainda gostava de fazer e experimentar. De certa forma não quero estar-me só a fechar numa caixa ou numa gaveta. Ainda quero experimentar muitas coisas que espero eu que venham a acontecer portanto é possível que me vejam noutros registos sim, sem dúvida.

Se fosse hoje mudarias algo no teu álbum?

Se fosse hoje a única coisa que faria era meter a Inspirado em ti no Momento certo, a faixa não está incluída no EP, foi uma faixa solta que saiu e depois acabei por não incluí-la. Se calhar era mesmo a única coisa que mudava.

 

“Parece que mostram que uma mulher é melhor que um homem mau mas nunca é melhor do que um homem bom”

Nos dias de hoje é ainda raro existirem rappers mulheres. Por vezes algumas rappers queixam-se que têm o trabalho mais dificultado por serem mulheres, acreditas que essas dificuldades são legítimas ou que há uma certa vitimização?

Eu acredito que há dificuldades sim e apesar de haver poucas mulheres no rap já começam a haver algumas, é preciso dar-lhes espaço. Acho que esse espaço muitas vezes não nos é facultado. Muitas vezes ouvimos dizer que as mulheres desanimam muito rapidamente e acabam por desistir mas também é preciso pensar porque é que isso acontece. É preciso trabalhar o triplo às vezes, para nós chegarmos a um lugar considerado. Acho que sim, que ainda existem diferenças e não é de todo vitimização.

No teu caso, sentiste mais facilidades ou dificuldades para expor o teu trabalho?

Eu ainda me considero no início, lancei a minha primeira música quase há 2 anos, o meu EP há 1 ano e 2 meses… não senti… eu acho que agora se calhar estamos um bocado habituados a chegar ao sucesso muito rápido, quase como se fosse instantâneo e eu não acredito muito nisso, acho que é uma coisa que se faz passo a passo e de forma consolidada. Então acho que ainda é cedo para responder a essa pergunta, até agora considero que tenho ido muito bem, estou muito feliz com o meu percurso até aqui. Este ano foi um ano muito bom apesar de em termos de lançamento de músicas só ter feito uma música. Apesar disso foi um ano em que eu consegui chegar aos palcos, a alguns, portanto não tenho mesmo nada em que me possa queixar neste momento a não ser se calhar da parte das plataformas. Eu costumo mandar o meu trabalho para as plataformas de rap e outros estilos de música que eu conheço e não obtenho muitas respostas. Parece que só se lembram do nosso trabalho quando é Dia da Mulher e fazem aquelas coisas de “Mulheres No Rap” que por se se celebrar esse dia falam em nós mas no resto do ano há assim quase como que um vazio. Se calhar, e não falo só por mim, falo também por outras mulheres no rap, que há algumas em Portugal e com muito potencial, também sentem o mesmo por parte das plataformas digitais. Há assim um esquecimento coletivo e depois no Dia da Mulher falam no Rap Feminino quase como se houvesse duas ligas diferentes, não percebo muito bem isso. Relativamente ao meu trabalho e ao meu percurso até agora estou muito feliz com aquilo que alcancei.

O que é necessário para o rap feminino se afirmar finalmente no panorama do hip-hop nacional?

A partir do momento em que eu faço parte, por exemplo, de um cypher onde participam 2 mulheres e 7 ou 8 homens e depois nos comentários do vídeo no YouTube aparecem pessoas a dizer: “Essa miúda aí é melhor do que muitos rappers homens aí”, acho que isso se calhar já diz um bocado. É uma comparação que não percebo muito bem. Esses comentários em específico, e há vários, basta ires aos perfis e às músicas do YouTube das várias rappers parece que mostram que uma mulher é melhor que um homem mau mas nunca é melhor do que um homem bom. Se bem que isso é muito subjetivo, o que é que é um bom e o que é que é um mau rapper. Mas eu acho que não percebo esse tipo de comparações e porque é que existem e insistem em duas ligas, sendo que a nossa parece estar abaixo e temos de fazer muito mais para valorizarem o nosso trabalho porque senão vão sempre dizer que é porque “ela realmente é melhor do que muitos rappers para aí”. Não percebo isso. É um problema geral, não é só no rap, na política também é muito difícil ou em outros estilos musicais, no desporto. Em tudo há essa desvalorização do trabalho da mulher e sim temos de fazer o triplo para dizerem “ok és fixe, nem és assim tão má”.

Tendo em conta que as mulheres estão cada vez mais a ganhar notoriedade no mundo do Hip-Hop, principalmente lá fora, como vês o rap feminino daqui a 5 anos em Portugal?

Eu não faço futurologia. Espero que haja mais mulheres a dar concertos nos grandes festivais, não só no rap, nos outros estilos musicais também, espero que hajam mais apoios também para os desportos femininos entre outro tipo de coisas e que nós continuemos a lutar pelo nosso trabalho porque acho que vai chegar a um dia em que vão ter de nos valorizar, vão ter de olhar para nós. Acho que é preciso muito se calhar para verem que nós existimos e para de facto nos darem o valor e o espaço, sobretudo falo de espaço, que merecemos. Falo por mim e por outras mulheres no rap que conheço, vamos continuar a lutar por isso.

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“Já estou a preparar para ir a estúdio”

Passando para a atualidade…
A tua última faixa, “Só quero que saibas que eu estou bem”, lançada há 3 meses, foi o único avanço após o teu primeiro álbum. Qual a razão por teres lançado esta faixa solta?

Houve sim. Uma razão pessoal, acho que não vale a pena estar a expor aqui, precisava de lançar esta faixa nesse momento, assim solta, e pronto. De facto este ano foi um ano em que tive, apesar de publicamente ter conseguido ganhar algum espaço e ter conseguido subir a alguns palcos e sobretudo era esse um dos meus grandes sonhos, poder apresentar as minhas músicas ao vivo, em termos de trabalho, de fazer músicas novas, processo criativo, estive um bocado parada. No entanto já estou super pronta para o ano que vem.

Houve alguma urgência para apresentar trabalho?

Não, não ponho essa auto-pressão para lançar trabalho. Por acaso não sei se devia ou não, é bom eu continuar a fazer músicas mas também tenho outros projetos como a faculdade e também estive a trabalhar. A faculdade também é uma dimensão muito importante da minha vida e acabei por não conseguir ter o tempo e o espaço que eu queria para fazer rap este ano mas já estou a preparar o ano que vem no que toca a isso.

O que podemos esperar da Máry M nos próximos tempos? Mais trabalhos, o mesmo storytelling, algo diferente?

Eu espero ter um pouco de tudo. Já estou a preparar para ir a estúdio no início de janeiro. Depois vou estar uns meses fora mas vou aproveitar para escrever que é uma coisa que eu não tenho tido muito tempo. Espero ter esse tempo lá fora, quero explorar outros campos também e espero que dê certo.

Por último, finalmente dizerem que tens ar de rapper é um objetivo ou vais continuar a não querer saber?

Se me parassem de dizer era fixe, o que significava que isso não existia, esse estereótipo ou o que quer que isso seja. Não percebo muito bem o que é ter ar de rapper mas as pessoas dizem-me isso- Para além de ser mulher, o que já causa alguma estranheza a algumas pessoas, se calhar também não me apresento como elas acham que um rapper se apresenta. Portanto se me deixarem de dizer isso que seja porque esse estereótipo deixa de existir ou ganha ou perde força e não porque eu de facto passo a vir a ter ar de rapper!

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Mas lembrou-se tudo de lançar sons hoje?

São 2h37 da manhã de segunda-feira ou da longa noite de domingo, como quiserem.

Subtil, Dillaz, Mundo Segundo & Sam The Kid, Vilão e Malabá. Todos este rappers de renome do panorama nacional e todos eles lançaram músicas novas neste domingo.

Claro que isto é muito bom na medida em que é nova música para os meus ouvidos, no entanto, eu e a minha equipa de redação da Hip Hop Rádio tivemos um dia (e noite principalmente) muito preenchido para divulgar tudo isto.

Mas vamos aos sons:

 

Subtil –  Todos Contigo

Adorei. O MC algarvio vem cheio de barras, cru e com knowledge. foi bom para começar o dia.

 

Dillaz X Lhast – Gravidade

Gostei muito, mesmo muito e foi o que mais me supreendeu, de longe. Não sabia que o Dillaz tinha (esta) vibe. Influências do Lhast certamente.

 

Mundo Segundo & Sam the Kid – Gaia/Chelas

Música nova que não é nova, os fãs simplesmente estavam à espera que fosse lançada oficialmente visto que os experientes MCs já tocam esta faixa há anos nos seus concertos.

 

Vilão – em vão

Bom Regresso mas de todos foi o que senti mais, não gostei muito do refrão mas acho que é daqueles sons que tem de se ouvir algumas vezes para se gostar

 

Malabá – Bang Bang

Simplesmente espetacular e diferente do que o Malabá costuma fazer e a “culpa” é do refrão. Grande mensagem que manda dicas para… vou deixar vocês analisarem com a vossa escuta, não quero dar spoil.

 

E foi isto, no final de contas só quero um domingo igual ou mais trabalhoso que este para a semana.

 

 

Cigas Report #1

Neste segmento vão entrar algumas reportagens… sobre Hip-Hop é claro.

Não era preciso eu ter dito isto mas ya.

A primeira é sobre o curso de Hip-Hop na ETIC.

Será que as pessoas acham pertinente? Será que não faz sentido comparativamente com os restantes cursos? Descobre aqui.

 

Profjam voltou cheio de dicas!

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Já há muito tempo que não tínhamos novidades do Profjam.

“Tou Bem” é o novo single e tem a parceria de Lhast nos beats e, pasme-se, na voz, mais precisamente no refrão. Benji Price está na mistura e Bernardo Cruz, Bernardo D’Adario e Ricardo Crespo também participam.

Mas Profjam contou-nos mais coisas: 

#FFFFFF – código RBG para a cor branca – será o nome do seu novo álbum.

As apresentações do novo álbum têm datas marcadas para dia 15 de março no Hard Club, na cidade do Porto, e dia 5 de abril, no Capitólio, em Lisboa.

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Boas notícias não acham?

E agora uma inconfidência, aqui que ninguém nos lê. Já pude ouvir grande parte do álbum novo do Profjam e está algo de espetacular.

Diria mesmo que é algo que nunca se fez na tuga

 

Já chega de fazer inveja, fiquem aqui com o novo single: